No próximo dia 18 de junho, pelas 18h00, a Casa da Animação apresenta ‘Tocar o Cinema’, edição portuguesa de ‘Toucher au Cinéma’, de Pierre Hébert – uma das figuras mais singulares e influentes do cinema de animação experimental contemporâneo.
A sessão decorre no Bar High Life, no Batalha Centro de Cinema, numa conversa com Erika Rodrigues e Marina Estela Graça, responsáveis pela tradução da obra, Abi Feijó e Normand Roger, conduzida por João Apolinário, presidente da Casa da Animação.
A publicação ‘Tocar o Cinema’ integra as celebrações dos 25 anos da Casa da Animação. Fundada em 2001, no contexto da Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura, a associação nasceu como um espaço dedicado à divulgação, reflexão e criação no campo da animação. Foi, também, nesse contexto que Pierre Hébert participou no Simpósio Arte e Animação, com a apresentação do ensaio ‘Le cinéma d’animation et les autres arts’ e de uma performance que contou com a colaboração do músico Carlos Bica.
Vinte e cinco anos depois, num momento em que as transformações tecnológicas desafiam profundamente as práticas artísticas e as próprias definições de animação, a edição deste livro constitui um contributo fundamental para o desenvolvimento do pensamento crítico sobre o cinema de animação em língua portuguesa. A escrita de Pierre Hébert ocupa um lugar raro na história da animação: não surge apenas como reflexão sobre a criação, mas como prolongamento do próprio gesto criativo.
Esta edição é, igualmente, um gesto de reconhecimento do profundo impacto de Pierre Hébert na animação portuguesa. Ao longo de várias décadas, contribuiu para a divulgação de outras formas de fazer e pensar o cinema de animação, tendo realizado treze performances em Portugal e participado em diversos encontros e publicações. Em 1984, acolheu e orientou o estágio de Abi Feijó na Office National du film du Canada (ONF), experiência da qual resultou o filme ‘Oh que Calma!’ (1985). Mais tarde, juntamente com Marcel Jean, foi coprodutor de ‘Clandestino’ (Abi Feijó, 2000), uma colaboração determinante para o desenvolvimento das coproduções internacionais da animação portuguesa. Deste percurso resultariam novas parcerias entre Portugal e o Canadá, entre as quais se destaca ‘História Trágica com Final Feliz’, (Regina Pessoa, 2005).
Mais do que o lançamento de um livro, este será um momento de celebração de um autor que continua a desafiar as fronteiras entre teoria e prática, cinema e performance, tecnologia e gesto humano, e da sua influência duradoura no desenvolvimento da animação portuguesa.